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MDS debate direito das trabalhadoras domésticas e Política Nacional de Cuidados em congresso

Foto: Erika Braz - MDS

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As trabalhadoras domésticas, uma das principais categorias responsáveis pelo cuidado no Brasil, se reuniram nesta terça-feira (19.08), em Luziânia, Goiás, para discutir a luta por direitos já adquiridos, por reparação história e contra o trabalho escravo. Os temas foram debatidos no 13º Congresso Nacional das Trabalhadoras Domésticas, encontro apoiado pelo Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS).

No evento, representantes da Federação Nacional das Trabalhadoras Domésticas (Fenatrad), que promove o Congresso, denunciaram que, em todo o Brasil, mulheres ainda são tratadas “como propriedade, privadas de direitos e de liberdade”. De acordo com o Código Penal brasileiro, o trabalho escravo é caracterizado por práticas como jornada exaustiva, condições degradantes, restrição de liberdade, trabalho forçado, retenção de documentos, vigilância excessiva e endividamento com o empregador.

Presente na abertura, a secretária nacional de Cuidados e Família do MDS, Laís Abramo, lembrou que as pautas da categoria foram ouvidas desde o início da construção da Política Nacional de Cuidados, lei aprovada e sancionada pelo presidente Lula em 2024. “Nós estamos construindo uma nova política no Brasil. Estamos na finalização do Plano Nacional de Cuidados, e durante o processo de criação, estivemos com a Fenatrad para saber como o governo do presidente Lula poderia responder as reivindicações das trabalhadoras domésticas”, disse.

De acordo com a secretária, o MDS e outras cinco pastas do Governo do Brasil, os ministérios das Mulheres, da Igualdade Racial, do Trabalho, da Cidadania e Direitos Humanos e da Educação direcionaram esforços conjuntos para atender a categoria das trabalhadoras domésticas. “Criamos um programa de formação profissional e formamos 900 trabalhadoras domésticas. Vamos repetir uma segunda escala com 10 mil vagas dirigidas à formação profissional, em todo o Brasil”, anunciou Laís Abramo.

A Secretaria Nacional de Cuidados e Família do MDS desenvolve e acompanha ainda ações de fiscalização contra o trabalho análogo à escravidão e de reconhecimento de sindicatos de empregados domésticos, para facilitar questões na justiça. “Junto ao Ministério da Previdência Social, trabalhamos a ampliação do seguro desemprego para as resgatadas na situação de escravidão”, acrescentou Abramo.

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No Plano Nacional de Cuidados, está previsto um eixo específico de promoção do trabalho doméstico digno. “Desde o começo, colocamos as trabalhadoras como grupo fundamental. Existem outras categorias, mas as domésticas foram, historicamente, e continuam sendo a principal categoria do trabalho remunerado de cuidados”, declarou a secretária de Cuidados e Família.

Em todo o Brasil, existem cerca de sete milhões de mulheres trabalhadoras domésticas, em funções como babá, cozinheiras e faxineiras, por exemplo.

A presidente da Fenatrad, Neuza Maria de Oliveira, ressaltou que a luta da categoria começa antes mesmo da chegada ao evento, onde discutem seus anseios. “As primeiras dificuldades são negociar as folgas com os empregadores e organizar a rotina dos filhos para congregar e debater as pautas da categoria. É difícil, mas nós estamos aqui”, disse ela, na abertura do encontro.

Trabalho análogo à escravidão

Segundo dados oficiais da Inspeção do Trabalho, 127 trabalhadoras domésticas foram resgatadas de condições análogas à escravidão entre 2017 e 2023. Para a Fenatrad, há subnotificação e este número seria de 485 mulheres resgatadas em condições análogas à escravidão, no mesmo período. Alguns dos motivos para a subnotificação seriam a dificuldade em denunciar e a falta de fiscalização.

“As violações são diversas e graves: falta de alimentação no local de trabalho, abusos físicos, psicológicos e sexuais, retenção de documentos, confinamento forçado e trabalho infantil doméstico, que afeta majoritariamente meninas negras” aponta a pauta de reivindicações da Fenatrad.

Direitos garantidos

Djaine Clemente do Nascimento, tesoureira do Sindicato das Trabalhadoras Domésticas de Pernambuco, ressalta que uma das pautas é avançar com a assinatura das Carteiras de Trabalho da categoria. “Estamos em campanha sempre para que as trabalhadoras não deixem nunca de assinar a carteira e assegurar os direitos, porque isso é lei. Mesmo que recebam benefícios sociais, porque eles não garantem aposentadoria”, apontou.

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Secretária de Formação Sindical da Fenatrad, Shirlene Britto, veio de Campina Grande, Paraíba. Para ela, as trabalhadoras domésticas são as protagonistas da função do cuidado. “O que esperamos é que a gente possa continuar melhorando as políticas públicas por meio do Plano Nacional de Cuidados, buscando a valorização do nosso trabalho. A Fenatrad está nessa discussão pontuando nossa importância para o PIB nacional”, detalhou. 

Balbina Santos é cuidadora de idosos em Salvador, Bahia, e diz que a verdadeira valorização é a Carteira de Trabalho assinada. “É isso que eu estou buscando com as companheiras de sindicato, pra não sair com a mão na frente e a outra atrás. A gente não pode ser microempreendedor (MEI), porque temos carga horária e precisamos de direitos assegurados” conta a profissional. 

O 13º Congresso Nacional das Trabalhadoras Domésticas acontece de 19 a 24 de agosto, com o tema “Pela Equiparação e Respeito aos Direitos Conquistados”. Participam do debate 250 lideranças de 13 estados brasileiros. No evento, a categoria debaterá 10 eixos essenciais para o trabalho doméstico e, por meio deste debate, a Fenatrad vai renovar o plano de luta da categoria.

Além do MDS, o congresso recebeu representantes da ONU Mulheres, CUT, Tribunal Superior do Trabalho (TST) e dos Ministérios das Mulheres e da Justiça.

Assessoria de Comunicação – MDS

Fonte: Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome

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