Pesquisas conduzidas pela Embrapa Meio Ambiente investigaram os efeitos de fungicidas químicos e biológicos sobre o complexo fúngico presente no alimento larval da abelha-sem-ferrão Scaptotrigona depilis. O estudo revelou que fungicidas amplamente utilizados na agricultura podem comprometer microrganismos simbiontes essenciais para o desenvolvimento das larvas, afetando a digestão e a disponibilidade de nutrientes.
Fungicidas químicos apresentam impacto severo
Os testes mostraram que o fungicida químico inibiu completamente a esporulação dos fungos simbiontes em concentrações iguais ou superiores a 2 g/L. Análises moleculares confirmaram que, nessas doses, os principais simbiontes — Monascus ruber e Zygosaccharomyces sp. — não estavam mais presentes no alimento larval.
Segundo os pesquisadores, mesmo sem causar mortalidade imediata, o uso desses produtos pode afetar processos vitais para o desenvolvimento larval e a manutenção das colônias.
Fungicidas biológicos têm menor efeito negativo
No caso do fungicida biológico, o estudo demonstrou efeitos mais variados:
- Concentrações intermediárias (0,2 e 0,66 g/L) estimularam a esporulação e favoreceram o crescimento dos fungos simbiontes.
- Doses elevadas reduziram o crescimento, indicando que excesso também pode ser prejudicial.
Esses resultados mostram que produtos biológicos podem ser mais compatíveis com a preservação das abelhas nativas e práticas agrícolas sustentáveis.
Metodologia do estudo
O estudo utilizou diferentes concentrações dos produtos, definidas com base nas recomendações de uso em campo, garantindo relevância agronômica. O desenvolvimento dos fungos foi monitorado por contagem de esporos e análises moleculares para verificar a presença dos simbiontes essenciais.
A bolsista Jenifer Ramos explicou que as formulações químicas e biológicas não são diretamente comparáveis, devido a diferenças de ingredientes ativos e recomendações de aplicação.
Impactos e implicações para a agricultura
Os pesquisadores destacam que os fungicidas químicos podem comprometer relações simbióticas fundamentais à saúde das abelhas sem ferrão, afetando a nutrição e a sobrevivência das colônias. Por outro lado, produtos biológicos representam alternativas de menor impacto, preservando microrganismos essenciais e contribuindo para serviços de polinização.
O pesquisador Cristiano Menezes reforçou a importância de incluir abelhas nativas em ensaios ecotoxicológicos de defensivos e estender exigências de testes de segurança atualmente aplicadas apenas a inseticidas químicos. Segundo ele, a preservação dos simbiontes é crucial para manter a saúde das abelhas e a produtividade agrícola.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
























