Cerca de 70 estudantes do 2º e 3º anos do Ensino Médio da Escola Estadual Salim Felício participaram, nesta segunda-feira (16), de uma palestra sobre prevenção à violência contra a mulher. A atividade integra o projeto “Cemulher e a Lei Maria da Penha nas Escolas”, desenvolvido pela equipe da Coordenadoria Estadual da Mulher em Situação de Violência Doméstica e Familiar (Cemulher-MT), que intensifica as ações ao longo do Mês da Mulher, em março.
Voltado ao público adolescente, o projeto busca discutir a cultura do machismo, apresentar os cinco tipos de violência previstos na Lei Maria da Penha e estimular a reflexão sobre comportamentos naturalizados no dia a dia. Durante o encontro, foram apresentados dados nacionais, conceitos e exemplos práticos de violência contra a mulher, além de orientações sobre como identificar situações de risco e buscar ajuda.
A diretora da escola, Maria Denise de Souza Carvalho, ressaltou que a palestra dialoga diretamente com a realidade vivida por muitos estudantes. “É muito importante, porque é um assunto que está acontecendo demais”, afirmou. Segundo ela, a escola frequentemente se torna o primeiro espaço onde sinais de sofrimento aparecem, muitas vezes de forma silenciosa.
A gestora relatou que já houve casos de automutilação identificados pela equipe escolar, além de episódios de assédio no ambiente familiar. Nessas situações, a direção aciona a mediação com apoio psicológico e, quando necessário, encaminha o caso ao Conselho Tutelar. Para Maria Denise, discutir o tema com os jovens é essencial para que compreendam os impactos da violência e possam fazer escolhas diferentes no futuro.
O assessor técnico multidisciplinar da Cemulher, Cristian Pereira, destacou que o projeto aposta na formação de consciência desde cedo. “Nós acreditamos que a mudança acontece a partir da educação”, afirmou. Ao citar o filósofo Pitágoras, reforçou que é preciso educar as crianças de hoje para não ser necessário punir os homens de amanhã. Segundo ele, a iniciativa percorre escolas da Capital, de Várzea Grande e do interior com o propósito de plantar sementes e transformar mentalidades.
Entre os estudantes, o conteúdo provocou reflexão. Matheus Kaleby, 17 anos, do 3º ano, classificou os dados apresentados como alarmantes. “Ninguém no mundo merece ser machucado só por fazer algo que você não goste”, disse. Para ele, é lamentável que ainda haja pessoas que se sintam no direito de agredir ou tirar a vida de uma mulher. O aluno defendeu mudanças efetivas na segurança pública e torceu para que os índices de violência diminuam nos próximos anos.
Ana Cristina Olímpio,15 anos, do 2º ano, afirmou que aprendeu novos conceitos durante a palestra e reforçou a importância do respeito. “Eu não acho certo uma mulher ser maltratada”, declarou. A estudante defendeu punições mais severas para agressores e ressaltou que as mulheres exercem papel fundamental na sociedade.
Já Cauê Alves Marrafon, de 16 anos e também do 2º ano, disse que a palestra ampliou sua compreensão sobre os diferentes tipos de violência. “Não se deve bater em ninguém, principalmente em mulher”, afirmou. Ele convidou os colegas a refletirem sobre como se sentiriam ao ver a própria mãe sendo agredida, destacando a necessidade de respeito e cuidado nas relações.
Ao final, a avaliação foi de que o diálogo aberto dentro da escola é um passo importante para quebrar ciclos de violência e fortalecer uma cultura de respeito desde a adolescência.
Autor: Flávia Borges
Fotografo: Josi Dias
Departamento: Coordenadoria de Comunicação do TJMT
Email: [email protected]






















