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Do universo às pessoas: pesquisadora conecta partículas extremas e inclusão e popularização da ciência

Rita foi premiada com o 2º Prêmio Mulheres e Ciência, concedido a pesquisadoras que contribuíram para o conhecimento científico de excelência e o avanço tecnológico nacional, na categoria Estímulo. Foto: Luara Baggi/Ascom MCTI.

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Partículas extremamente energéticas atravessam o universo em velocidades próximas à da luz e chegam diariamente à Terra. Devido à altíssima energia, superam a velocidade de qualquer acelerador de partículas construído pelo homem. Ao atingir a atmosfera do nosso planeta, os raios cósmicos — compostos principalmente por prótons e núcleos atômicos — geram uma cascata de partículas secundárias que pode ser detectada por instrumentos científicos. Além de carregarem níveis de energia muito elevados, essas partículas percorrem grandes distâncias no universo, podendo atravessar galáxias inteiras antes de chegar até nós.

Embora não seja possível acessar diretamente as regiões onde são produzidos, os raios cósmicos funcionam como mensageiros naturais desses ambientes. Investigar sua origem e os caminhos que percorrem ajuda a compreender fenômenos extremos do universo e a responder questões ainda em aberto na astrofísica. Entender de onde vêm os raios cósmicos é uma das questões mais complexas da astrofísica contemporânea, e também o centro da pesquisa da professora do Departamento de Engenharias e Exatas do Setor Palotina da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Rita de Cássia dos Anjos.

Para Rita, estudar os raios cósmicos é uma forma de usar o universo como laboratório. “Entender de onde eles vêm é uma questão muito relevante porque significa investigar quais objetos do universo são capazes de acelerar matéria a energias muito superiores às que conseguimos produzir em aceleradores terrestres”, afirma. Segundo a pesquisadora, isso nos ajuda a compreender melhor fenômenos extremos, campos magnéticos cósmicos, processos de aceleração e a própria estrutura do universo em grande escala.

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Rita é doutora em física pela Universidade Federal do ABC (UFABC) e cumpriu estágio de pesquisa na Universidade de Harvard, uma das principais instituições científicas do mundo. No avançar da carreira, passou a integrar colaborações internacionais na área de astrofísica de partículas. Sua atuação se concentra no estudo dos raios cósmicos de altíssima energia e na investigação de fenômenos extremos do universo, com produção científica publicada em revistas de alto impacto, como a Physical Review e o The Astrophysical Journal. Paralelamente, ela desenvolve projetos de inclusão e popularização da ciência, com foco na formação de estudantes e na ampliação do acesso ao conhecimento científico.

Galáxias Starburst

Na busca da origem desses raios, a pesquisadora mantém, entre as hipóteses estudadas, as chamadas galáxias starburst, ambientes com intensa formação de estrelas e grande concentração de eventos energéticos, como explosões de supernovas. Nesses contextos, acredita-se que possam existir condições favoráveis para a aceleração dessas partículas.

“Quando estudamos explosões estelares, galáxias ativas ou fontes capazes de acelerar partículas extremas, estamos investigando processos que ajudam a explicar desde a origem de sinais astrofísicos muito energéticos até a evolução do próprio cosmos”, afirma Rita.

Embora trate de fenômenos distantes do cotidiano, a pesquisa de Rita se conecta diretamente à sociedade por meio da formação de pessoas e da ampliação do acesso ao conhecimento científico. Para ela, a ciência não se resume à produção de resultados, mas também à construção de trajetórias. “Vejo a ciência também como formação humana, intelectual e social”, afirma.

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Acessibilidade é ciência

Esse compromisso se materializa em iniciativas de inclusão, como o desenvolvimento de materiais didáticos acessíveis em Braille e recursos táteis para o ensino de física e astronomia. Projetos como o Acessibilidade e Inclusão no Estudo do Cosmos e o Kit Acessibilidade em Óptica buscam tornar conteúdos tradicionalmente visuais acessíveis a pessoas com deficiência visual.

A proposta é simples e ao mesmo tempo transformadora: permitir que mais pessoas possam compreender e participar da ciência, independentemente de suas condições sensoriais. Além da acessibilidade, Rita atua em iniciativas para estimular a participação feminina na ciência, especialmente na astronomia. “Quando meninas não veem mulheres cientistas sendo reconhecidas, é mais difícil se imaginarem nesse lugar”, afirma.

Ao longo da trajetória, muitas vezes foi a única mulher negra em determinados espaços — experiência que, para ela, revela desigualdades estruturais na ciência brasileira. “Não se trata de ausência de talento, mas de desigualdade de acesso, permanência e reconhecimento”, afirma. Rita destaca o papel fundamental da mãe e da irmã em sua trajetória. “Permanecer na ciência também é ter uma rede de apoio que nos ajude a sustentar nossos sonhos quando as estruturas ao redor nem sempre favorecem”, afirma.

Ao conectar pesquisa de fronteira com inclusão, educação e representatividade, o trabalho de Rita amplia o papel da ciência para além da descoberta: transformando conhecimento em acesso, formação e possibilidade.

Fonte: Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação

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