O mercado global da soja segue em forte movimento de alta nesta quarta-feira (13), sustentado pelos números mais recentes do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), pela demanda aquecida por óleo e farelo e pelas expectativas envolvendo a reunião entre Donald Trump e Xi Jinping, marcada para os próximos dias em Pequim.
Na Bolsa de Chicago (CBOT), os contratos futuros da oleaginosa avançam novamente, consolidando um cenário altista para o complexo soja e elevando a atenção do mercado brasileiro para oportunidades de comercialização.
Soja sobe em Chicago com estoques menores nos EUA
Por volta das 8h15 (horário de Brasília), os principais contratos da soja registravam ganhos entre 2,75 e 5,25 pontos.
O vencimento julho/26 testava US$ 12,30 por bushel, enquanto:
- Agosto/26 operava a US$ 12,24 por bushel
- Setembro/26 era cotado a US$ 12,04 por bushel
O mercado segue repercutindo os dados do relatório WASDE, divulgado pelo USDA, que trouxe redução inesperada nos estoques finais norte-americanos da safra 2025/26.
A revisão foi motivada pelo aumento do esmagamento doméstico e pelo crescimento da demanda por óleo de soja voltado à produção de biocombustíveis nos Estados Unidos.
Segundo o relatório, o consumo de óleo destinado ao setor energético passou de 6,44 milhões para 8,07 milhões de toneladas, em um ambiente de petróleo acima dos US$ 100 por barril.
Farelo e óleo também avançam
Os derivados da soja acompanham o movimento positivo em Chicago, embora com intensidade menor em relação ao grão.
O destaque continua sendo o farelo de soja, impulsionado pela demanda global aquecida, especialmente para alimentação animal.
Na sessão anterior:
- Farelo de soja subiu 1,11%
- Óleo de soja avançou 2,20%
Já os contratos futuros da soja encerraram o dia com valorização consistente:
- Maio/26: US$ 12,1350 por bushel (+1,15%)
- Julho/26: US$ 12,2675 por bushel (+1,13%)
Geopolítica aumenta volatilidade no mercado agrícola
Além dos fundamentos de oferta e demanda, o mercado agrícola segue altamente sensível ao cenário geopolítico internacional.
As tensões envolvendo Irã e Estados Unidos continuam influenciando o comportamento das commodities, mas o principal foco do complexo soja está voltado ao encontro entre Donald Trump e Xi Jinping, previsto para ocorrer entre os dias 14 e 15 de maio, em Pequim.
O comércio agrícola deve ocupar posição central nas negociações entre as duas maiores economias do mundo, especialmente no caso da soja, principal commodity das relações comerciais entre Estados Unidos e China.
Apesar da expectativa positiva, operadores mantêm cautela diante do forte apetite chinês pela soja brasileira, que segue altamente competitiva no mercado internacional.
Alta em Chicago melhora preços da soja no Brasil
No mercado brasileiro, a valorização da CBOT melhora as indicações nos portos e nas principais regiões produtoras, embora o dólar relativamente estável limite movimentos mais agressivos de alta.
No Rio Grande do Sul, o porto de Rio Grande registrou cotação de R$ 131,00 por saca, alta de 2,83%.
A colheita no estado alcança 79% da área, mas o excesso de umidade vem dificultando os trabalhos de campo e elevando os custos de secagem.
Além disso, o frete curto disparou em algumas regiões gaúchas, com alta de até 55% em localidades como Erechim e Pelotas.
Logística preocupa produtores no Sul e Centro-Oeste
Em Santa Catarina, os preços seguem estáveis, com referência de R$ 129,00 por saca em São Francisco do Sul. O estado mantém atenção elevada para a ferrugem asiática, exigindo aplicações preventivas em áreas de fronteira agrícola.
No Paraná, a colheita já atinge 99% da área cultivada, porém produtores enfrentam dificuldades operacionais devido à falta de diesel em municípios como Guarapuava, Irati e Rio Azul, justamente na reta final da safra e no início da preparação para o trigo.
No Centro-Oeste, Mato Grosso do Sul apresentou superávit comercial de US$ 958,4 milhões em abril, embora a produtividade média tenha recuado 22,4%, ficando em 84,2 sacas por hectare.
Já em Mato Grosso, 72,52% da safra estava comercializada até abril, com produtores reduzindo o ritmo de vendas enquanto aguardam melhores oportunidades de preços.
A chegada da safra de milho também aumenta a pressão sobre armazenagem e logística, forçando a liberação de espaço nos silos e elevando os custos operacionais.
Mercado da soja segue firme e atento aos próximos movimentos
Com estoques mais ajustados nos Estados Unidos, demanda aquecida por derivados e atenção total ao cenário geopolítico internacional, o mercado da soja mantém viés positivo no curto prazo.
No Brasil, o comportamento do dólar, a evolução logística e o avanço da comercialização serão fatores decisivos para determinar o ritmo dos negócios nas próximas semanas.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio























