O Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS) apresentou o Programa Cozinha Solidária como uma estratégia para combater a fome, especialmente em contexto de emergências e calamidades climáticas. O tema foi abordado em painel na AgriZone, espaço da COP30 destinado à agroecologia, no domingo (16.11).
As cozinhas solidárias nasceram de iniciativa da sociedade civil e ganharam dimensão e relevância durante a pandemia de Covid. Elas oferecem alimentação gratuita em regiões periféricas.
Em 2023, com apoio do MDS, o Governo do Brasil transformou essa tecnologia social no Programa Cozinha Solidária, que oferta, de modo complementar, apoio para o desenvolvimento das atividades de produção e oferta de refeições. Em 2024, essas cozinhas foram essenciais para a garantia da alimentação em todas as cidades do Rio Grande do Sul afetadas pelas enchentes naquele ano.
As cozinhas solidárias são estratégias de combate à fome com papel crucial na adaptação das alterações climáticas”
diretora do Departamento de Promoção da Alimentação Adequada e Saudável do MDS, Patrícia Gentil
A Secretaria Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (Sesan/MDS) mapeou 2,6 mil cozinhas solidárias no Brasil. Atualmente, 1.210 delas já são habilitadas e recebem apoio do MDS.
Esse histórico foi apresentado pela diretora do Departamento de Promoção da Alimentação Adequada e Saudável do MDS, Patrícia Gentil, no espaço Agri Talks, na COP30.
“As cozinhas solidárias são exemplos que mostram como iniciativas populares também fazem parte da solução. São estratégias de combate à fome com papel crucial na adaptação das alterações climáticas. Rapidamente, conseguiram se organizar e ofertar alimentos para as famílias que ficaram desabrigadas ou perderam parte das suas estruturas de moradias”, destacou Patrícia.
“A experiência na tragédia no Rio Grande mostrou a importância das cozinhas solidárias como estratégia de garantia de alimentação às famílias atingidas em meio à emergência climática. Nestas situações, elas chegam até mesmo onde o Estado não chega”, ressaltou Gentil.
Fernando Campos, da Associação Cidade Para Todos, do Rio Grande do Sul, foi um dos convidados do painel. Ele destacou que o apoio do MDS tem contribuído para levar comida do campo para essas cozinhas. “Alimento da agricultura familiar, de agroecologia. O MDS deu ao MST essa possibilidade”, afirmou.
Campos explicou que os desafios são a implementação de tecnologias, como formas de cozinhar grandes quantidades de alimentos. O painelista enalteceu a Cozinha Solidária da Cúpula dos Povos, que durante sete dias ofereceu 21 mil refeições para a sociedade civil, especialmente povos originários, tradicionais e ribeirinhos, que participam da COP30.
Por fim, Fernando Campos deixou um recado. “Cozinhas solidárias precisam estar organizadas, porque não sabemos onde o raio vai cair. E quando cair precisamos estar prontos. A resposta deve ser rápida, porque as pessoas sentem fome todos os dias”, afirmou.
Outro painelista convidado pelo MDS, o pesquisador da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Sergio Schneider, estudou o impacto do apoio do estado a essa ação popular de combate à fome.
“Estes equipamentos têm diversidade muito grande, porque saíram de variados segmentos da sociedade. Mas sozinhas elas não existem, precisam da contraparte do Estado. Foi um avanço o reconhecimento da evolução dessas tecnologias sociais e a regulamentação destes espaços”, disse. “Que a gente possa usar o exemplo de Porto Alegre no Brasil e no mundo, já que as mudanças climáticas atingem todo o planeta”, concluiu.
Entre 2023 e novembro de 2025, o MDS já destinou mais de R$ 35,17 milhões a 410 cozinhas solidárias habilitadas. Somente este ano foram mais de R$25 milhões.
Assessoria de Comunicação – MDS
Fonte: Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome
























